Origami de mim
Quantas vezes me dobrei feito papel molhado,
um origami machucado em mãos que não sabiam dobrar…
Fiz silêncio onde queria ecoar.
Fui brisa onde queria ser furacão,
leve demais para que não notassem
o peso que eu carregava — sozinha.
Fui mão, amparo, suporte,
farol e cais para embarcações
que nem sabiam aonde queriam chegar… ou ancorar.
Me moldei ao impossível,
me fragmentei para caber em espaços que nunca foram meus.
Chorei e me escondi em sorrisos,
dancei em ritmos que nunca ouvi.
Até que, com a força outrora oculta,
me permiti florescer de novo —
lenta, talvez… feroz, mas inevitável.
Não mais origami de expectativas alheias.
Sou enigma.
Sou completude.
Sou pergunta sem resposta certa,
mar em dia de lua cheia.
E onde me pedem menos,
deságuo mais.
Ora… sou inteira demais
para gotejos pequenos.
por Thais Paolucci
