Espiral e paradoxal

Saber quem se é, de onde se veio e para onde se vai — e aceitar que essa resposta jamais será definitiva. A vida não se revela em linha reta, é um espiral infinito em constante fluxo. Nada é fixo, nada é linear: tudo se entrelaça. Somos feitos de instantes que se expandem e se repetem em diferentes camadas de tempo, costurando passado, presente e futuro em uma única trama invisível.

Reconhecer em si o lar e, no lar, reconhecer-se. Perceber que a busca nunca esteve fora, é parte de dentro. É sentir que cada passo dado ressoa com ecos de outros passos — de outras vidas, de outras jornadas — que se alinham em perfeita sincronia, como se o universo inteiro fosse um espelho devolvendo aquilo que sempre parecia estar escondido, mas nunca deixou de pulsar à vista dos que queriam enxergar.

Viajar no tempo, atravessar o tempo, ser o próprio tempo — essa é a experiência de habitar a eternidade em cada detalhe. Detalhes, que quando vistos com atenção, se revelam portais: despertam o que parecia adormecido, o que o mundo nomeou de morto ou passado, mas que segue vivo, presente, eterno em sua essência silenciosa.

Devaneios, talvez, mas devaneios são apenas memórias de uma alma que conhece a vastidão de existir em muitas formas, em muitas dimensões, em muitos instantes. Uma existência múltipla, que se espalha e se recolhe, que se divide e soma, que carrega tantas outras em si e, paradoxalmente, encontra o sentido de ser: única, mas também o todo. Um espiral em expansão infinita.

• Thais Paolucci